BOMBINHAS EM PREPARAÇÃO PARA O AÇOR

 

Nos dias 23 e 24 de fevereiro a Secretaria de Educação disponibilizou a toda rede de ensino municipal participação na formação continuada sobre Açorianidade, realizada pela Fundação de Cultura e o Núcleo de Estudos Açorianos – Nea da Ufsc, no salão de eventos da Pousada Vila do Farol. O objetivo foi repassar as particularidades sobre a maior festa da cultura açoriana das Américas, o conhecimento em torno desta herança em Bombinhas e no litoral catarinense, e explicar a participação das unidades escolares no processo.

 

A abertura da capacitação contou com a participação da prefeita Ana Paula da Silva, a Paulinha, do vice-prefeito Paulo Henrique Dalago Müller, o Paulinho, da presidente da Fundação Municipal de Cultura, Nívea Maria da Silva Bücker, além, do secretário da pasta, Omar Santos.

 

A manhã do primeiro dia foi reservada para que os gestores explanassem sobre a atual situação do segmento no município, destacar obras de infraestrutura e pedagógica, e aproveitar a singularidade de todos estarem juntos num mesmo espaço para trazer um momento motivacional aos servidores da educação. Aqui há uma particularidade que a formação continuada foi estendida a todos os servidores da educação municipal, ou seja, havia mais de 500 pessoas na plateia, denotando a importância do Açor para Bombinhas.

 

Os gestores destacaram o colaborativismo, dignidade, respeito, incentivaram a alteridade, o trabalho em equipe e a irrelevância de excessos cometidos tantos no gestual, quanto verbal, além da necessidade e importância do coletivo. O vice-prefeito Paulinho salientou a crise de identidade globalizada e destacou a educação como fundamental para a atualidade. “O respeito é o tom da nossa vida, como educadores, independente da formação, é o que nos fará cidadãos completos”, realça Paulinho.

 

A prefeita Paulinha falou sobre as obras de infraestrutura executadas, as que estão em execução e aquelas que estão em planejamento ou projeto, além de realizar um diagnóstico da educação, enfatizou o comprometimento com cada cidadão bombinense. “Não existe desenvolvimento cognitivo se não houver incentivo a leitura”, ressalta Paulinha, ainda, fez questão de responder dúvidas dos servidores.

 

Após as falas iniciais os presentes assistiram uma palestra encenada motivacional sobre colaboração corporativista e auto estima, realizada pela Dionisio Teatros, tendo a frente a atriz e professora de história Andréia Rocha, com o elenco Eduardo, Vinícius e Clarice.

 

A partir do período vespertino e durante todo o dia seguinte (24) a história mudou seu rumo e o assunto passou a ser Açorianidade. Os trabalhos foram conduzidos pelo Coordenador do Nea, o mestre historiador Joi Cletison, que iniciou a explicação sobre a 22ª Festa da Cultura Açoriana de Santa Catarina, que acontece entre os dias 2 e 4 de outubro deste ano em Bombinhas.

 

O historiador e mestre em museologia Gelci Coelho, conhecido por todos como Peninha, foi o palestrante da segunda-feira. O mestre destacou as lendas, mitos e heranças das raízes de base açoriana do litoral catarinense de uma forma diferenciada, através do calendário, evidenciando cada comemoração, dia santo e práticas conhecidas e corriqueiras no imaginário local. Engrandeceu a beleza bombinense, falou até em modificar o nome Bombinhas para “Paraíso” e destacou a importância das lendas. “Os elementais só sobrevivem quando a gente fala deles, estão na nossa imaginação, nunca morreram, ou morrerão enquanto esta prática sobreviver”, reforça Peninha.

 

A terça-feira ficou a encargo do historiador e coordenador de cultura popular do Nea, Francisco do Vale Pereira, o Chico, que fez mestrado no berço desta cultura, no Arquipélago dos Açores. “O estado de Santa Catarina é um mosaico de culturas e se somos assim, devemos ter uma renda muito bem bordada para fomentar estas culturas”, ressalta Chico.

 

Durante os dois dias de formação continuada os presentes tiveram o privilégio de alargar, ainda mais, seus conhecimentos acerca do conteúdo e assim ter a segurança necessária para repassar aqueles que são o futuro da sobrevivência da cultura de base açoriana em Bombinhas: as crianças e jovens.

 

A partir do início do ano letivo os fóruns de discussões passam a ser corriqueiros, já que a cada dia, se aproxima a data da 22ª Festa da Cultura Açoriana. E assim, Bombinhas caminha para realizar uma festa que marcará a história do Açor.